Categoria: A Paz na Situação Sustentável

Paz no Oriente Médio: Sonho e Visão. [2016]

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Paz no Oriente Médio:  Sonho e Visão. [2016]

Posicionamento básico:

 Ninguém deve ser contrário à avaliação de que os conflitos na Síria e no Iraque são absurdos civilizatórios e humanitários devendo ser terminados no prazo mais curto possível, incondicionalmente.  Os sofrimentos noticiados diariamente envergonham a comunidade da humanidade.  A mesma avaliação se aplica a toda a região da África Mediterrânea e aos demais conflitos na África.  Mas o foco das considerações neste ensaio estará nos acontecimentos na região do Oriente Médio.

O fato de chacinas acontecerem em sítios remotos não justifica insensibilidade e omissão, como se tem tido tradicionalmente, embora seja natural que cada sociedade tenha as prioridades voltadas aos problemas mais próximos.  As questões éticas implicam em Responsabilidades, que são, por princípio, indivisíveis, quer sejam ou não sejam desempenhadas.

Causas:

Apontam-se as decisões dos vencedores da Primeira Guerra Mundial – ingleses e franceses – sobre a divisão do império otomano e a intervenções recentes para depor tiranos como Saddam Hussein, no Iraque, e Kadaffi, na Líbia, como as principais causas dos conflitos armados atuais.  No segundo caso interesses pelo domínio de fontes de petróleo seria uma explicação de mais fácil compreensão.

A atribuição a divergências religiosas no âmbito da cultura muçulmana como causa de conflitos insolúveis é, no mínimo, simplista.  Comunidades sunitas e xiitas têm convivido entre si e com comunidades cristãs sempre que não instigadas por atores políticos.  Todas são antes de tudo vítimas.

Seja como for, as explicações de interesses históricos não aproximam encaminhamentos para a finalização das mortandades e das ondas de refugiados.  E uma manutenção de ordem por intermédio de tiranos não será duradoura, como demonstram as experiências.

Existem antagonismos pelo domínio na região em que divergências históricas entre sunitas e xiitas estão associadas a interesses econômicos:  De um lado sunitas extremistas da Arábia Saudita, e do outro xiitas conservadores no Irã.  Ambos são detentores de enormes reservas de petróleo.

 

Dos componentes do problema da região:

–  Da religião islâmica.

O islamismo é praticado por aproximadamente 1,3 bilhões de pessoas, número da ordem de grandeza dos cristãos.  Além do Oriente médio é a religião dominante na África Mediterrânea, na África em geral, no Paquistão, na Indonésia, em regiões da extinta União Soviética.  Na Indonésia se desenvolveu um regime de governo democrático.  Um pressuposto de associação de islamismo com regime de governo necessariamente autoritário não é consistente, apesar dos sultanatos históricos.

Faz parte da realidade que os países de cultura islâmica não participaram do desenvolvimento científico e tecnológico ocorrido desde o Renascimento Europeu, após a queda de Constantinopla em 1456.  Os muçulmanos desdenharam os desenvolvimentos no âmbito dos “infiéis”.  Por consequência os hábitos culturais também não evoluíram.  Foram rechaçados nas tentativas de conquista na Europa.  Na África e na Indonésia foram colonizados.  Ainda hoje nenhum país com religião dominante maometana figura entre os países desenvolvidos.  Estas circunstâncias são propícias à configurações de recalques com dimensões hostis ao “ocidente”.

 –  Da posição da Turquia.

A Turquia atual é um torso que restou de um califado que abrangeu os Bálcãs e o Oriente Médio, então dominando povos não turcos.  Ainda é o único país que se estende da Europa à Ásia.  A religião dominante é o islamismo sunita, mas o governo é formalmente laico e, até agora, eleito democraticamente.  A Turquia está integrada à OTAN / NATO, à comunidade de defesa Organização do Tratado do Atlântico Norte.  A Alemanha destacou um contingente militar antiaéreo e aviões para a fronteira com a Síria.  A Turquia tem um conflito com o povo curdo, que dificulta a integração de Turquia na União Europeia, a rigor um desenvolvimento desejável.  Com 80 milhões de habitantes, PIB/h de US$ 18.300,00 e IDH 0,761 não é um país pobre.  Com fronteiras do lado asiático com a Geórgia, a Armênia, ambas no domínio da desmantelada União Soviética, o Iran, o Iraque e a Síria, a Turquia está numa posição estratégica nos limites dos conflitos no Oriente Médio.  Recebeu e acomodou um grande número de fugitivos.  O posicionamento em relação ao “Estado Islâmico” não é transparente.

A atual intervenção militar na Síria e contra os combatentes curdos contra e o EI tem feições de política imperialista.  A ONU deveria condenar.

 –  Da posição dos Estados Unidos.

Deve ser acertado considerar que os Estados Unidos desejam a finalização dos conflitos de imediato.  Depois de uma incursão vitoriosa em defesa do Kuwait aventurou-se na deposição do tirano Saddam Hussein do Iraque e na instalação de um regime de governo democrático no Iraque.  Não logrou ganhar a paz entre sunitas e xiitas.  Com a retirada da maioria das tropas o conflito deflagrou.  Contingentes islamitas proclamaram um “Estado Islâmico” [EI].  Este “Estado Islâmico” promove atentados terroristas na Europa e nos Estados Unidos.

Depois que os Estados Unidos se tornaram autárquicos em relação ao petróleo através da exploração do xisto e dos avanços das fontes alternativas de energia, os interesses econômicos na região minguaram.  O ainda presidente Barack Obama, possivelmente, vê com frustração o desenvolvimento da cena.  De qualquer forma pode-se tomar como certo que o eleitorado americano não apoiaria uma intervenção com envio de numerosos contingentes humanos com o objetivo de extinguir o EI.

 –  Da posição da União Europeia.

Com certeza pode-se afirmar que a União Europeia deseja que o conflito no Oriente Médio não existisse, mas que não tem um conceito para sua finalização.  Não tem disposição nem recursos para uma intervenção militar.  Mesmo na ocasião dos conflitos na Iugoslávia, se fez necessária uma iniciativa dos Estados Unidos / NATO para abafar os combates.  Hoje contingentes militares alemães estão estacionados no Kosovo.  E diversos países dos Bálcãs almejam o ingresso na União Europeia.

Entretanto, o surpreendente fluxo de numerosos fugitivos da região de conflito causam problemas de recepção, abrigo e integração.  A maioria das sociedades é refratária aos imigrantes.  De fato a capacidade de absorção é, por natureza, limitada.  O voto britânico pela saída da União Europeia foi fundado nos receios das consequências da imigração numerosa.

De fato a situação é insustentável e requer uma solução urgente.  A solução só pode significar a finalização dos conflitos.  Esta, muito provavelmente, só será possível através de uma ação coordenada da NATO, declarada ou subentendida, com algum apoio de ‘países árabes’.  Agora já atuam conjuntamente forças turcas e americanas.  Qual seria o destino do tirano sírio?

–  Da posição do Iran.

O Iran é sede da versão xiita do islamismo.  Por isso apoia o partido xiita no Iraque, que não soube formar uma coligação com os sunitas e domina a região produtora de petróleo.  Pelas mesmas razões sustenta o governo da Síria e os contingentes Hitzbolah, originalmente combatentes contra Israel.  Após à formalização de um tratado de contenção do programa nuclear, o Iran recupera relacionamentos comerciais com os países da União Europeia e a exportação de petróleo.

–  Da posição da Rússia.

Estando a Rússia sob um regime praticamente autoritário, onde predomina a vontade do mandatário, no caso Putin, só se podem conjecturar hipóteses sobre o seu comportamento.  O intuito de voltar a atuar como potência e o intuito de ganhar influência na região do conflito até então na influência dos Estados Unidos são de alta probabilidade.  Daí resulta uma tentativa de alinhamento com o Iran na proteção do governo da Síria e do Hitzbolah.

Mas os ataques aéreos a partir de bases no Iran foram suspensos.  Não é pensável que a Turquia troque o pertencimento à NATO por uma aliança com a Rússia.  Antes é possível uma confrontação de tropas turcas com a base naval russa na Síria.  Esta base ficaria sem apoio depois da queda do tirano sírio.  Putin precisa se precaver de reações de populações islâmicas nos seus domínios.  Portanto, parece provável, que as investidas russas resultem tão somente de devaneios inconsistentes de um potentado ambicioso.

–  Do “Estado Islâmico” – EI.

O “Estado Islâmico” emergiu do conflito entre sunitas e xiitas no Iraque.  O EI é contrário ao governo alauita – facção xiita – da Síria, sediado em Damasco.  O EI também é contrário ao governo do Iraque, sediado em Bagdad, e também xiita.  Divulga o extremo fanatismo religioso e pratica atos de macabro terrorismo, chegando ao assassinato-suicida e a liquidações em massa.  Não existe a mínima base de sustentação para uma negociação com o “Estado Islâmico”.  É razoável prever que sua existência seja efêmera; não é reconhecido e não tem aliados, a menos que, sub-repticiamente, tenha apoio da Arábia Saudita.  No momento se encontra na defensiva.

Há de se esperar que a rejeição internacional unânime sirva de lição – tardia – para o desenvolvimento das instituições informais e formais de uma humanidade civilizada no âmbito das sociedades com cultura dominante muçulmana.

 –  Da posição de Israel e dos países muçulmanos Iran e árabes.

Nenhuma referência a Israel consta acima, porque Israel não está envolvido com os conflitos no ‘mundo muçulmano’.

Todavia o Estado de Israel judeu, ou de cultura mosaica, é sentido por muitos muçulmanos como um espinho encravado na região de cultura islâmica.  A extinção de Israel ainda consta nos discursos de alguns grupos.  Atualmente tem sido articulado menos pelos aiatolás iranianos, depois de o Iran ter acordado um controle de suas atividades nucleares e promover o retorno a condições normalizadas no comércio internacional.  Mas não existe uma perspectiva para o assentamento do conflito entre israelenses e palestinos, continuamente atiçado pela prática de criação de colônias judaicas fora no território oficial de Israel.

De um lado há de se constatar que a criação do Estado de Israel ofereceu a judeus um território onde estão a salvo de discriminações, perseguições e morticínios.  Por outro lado não pode ser perdido de vista que o estabelecimento de Israel não se deveu a um acordo, mas resultou de uma conquista militar posteriormente expandida até incorporar a cidade de Jerusalém.  Israel foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas desde a primeira hora, em 1949.  Um povo identificado por uma religião passou a ter um território constituindo uma nação.  Trata-se de uma experiência bem sucedida, mas a pacificação dos espíritos dos perdedores ainda está em aberto.  Não se pode considerar que a manutenção de um país pelo constante emprego do poder militar seja uma situação sustentável.  Há de se propor um ambiente reconhecido como favorável para todos envolvidos.

Com 8,5 milhões de habitantes vivendo em 20.700 km2, renda PIB/h US$ 35,9 e IDH de 0,894 (2014) – muito alto – o Estado de Israel tem condições de se integrar na União Europeia.  [compare acima os dados para a Turquia]

 

Componentes de um cenário desejável.

As dificuldades de uma pacificação tornam-se mais claras quando se procura delinear um cenário como meta a ser realizada.  Todavia é preciso ter uma imagem de objetivos, quer dizer Metas, por mais difícil que pareça alcançá-los, para ao menos ter parâmetros para atitudes e ações coerentes e poder avaliar das mudanças na situação.  A conscientização das dificuldades é um primeiro passo para a formulação de caminhos para superá-las.  Estes caminhos são políticas e estratégias.

Pressupõe-se que a grande maioria das pessoas em qualquer sociedade não é agressiva.  As motivações básicas são a sobrevivência – procura por alimentos, abrigo e vestuário – e a segurança – zelo por manter as condições de sobrevivência.  Reconhecimento e sentimento de estima veem em terceiro lugar.  É preciso que as pessoas sejam desviadas dos seus comportamentos normais para participarem e mesmo se engajarem em conflitos.  Tais agentes são os detentores de poderes:  Políticos e sacerdotes.  O comportamento normal compreende o temor de perder a vida e de sofrer ferimentos.  Num cenário desejável não deve haver agentes estimuladores de conflitos – guerras.  Esta é a segunda condição – simples e óbvia – para o estabelecimento de um ambiente pacífico.

No nível dos Estados / Governos as condições para a prevalência da Paz foram formuladas por Emmanuel Kant na segunda metade do século XVIII.  Kant viveu na cidade de Königsberg, na Prússia Oriental, na era do Iluminismo.  Os governos eram então monárquicos e, na prática, autoritários.  As condições formuladas na obra “Vom ewigen Frieden” – “Da Paz eterna” – são:  Separação de poder legislativo e poder executivo nos Estados, o que denominou de regime republicano; uma federação entre Estados e o direito de hospedagem dos cidadãos dos estados federados em todos os Estados.  Estas condições foram realizadas na União Europeia no século XX após a Segunda Guerra Mundial.  Os hoje 27 Estados federados têm regimes de governo democráticos parlamentaristas; há monarquias e presidencialismos.  Formalmente, os estados europeus são laicos.  Considera-se que democracias sejam avessas a guerras.

Adotando-se as condições formuladas pelo filósofo o cenário pacífico no Oriente Médio compreenderia:

–  Estados onde os poderes legislativo e executivo são separados, de forma que os poderes executivos não recebessem os recursos para investidas bélicas.  Esta condição elimina os tiranos.

–  Uma federação ou diversas federações de Estados independentes.

–  A livre circulação dos habitantes entre os Estados.

 

Condições e modelos de abordagens para a pacificação.

Antes de tudo é preciso eliminar os propagandistas de confrontações.  A promoção de um cenário, das Metas, favoreceria a abdicação voluntária a ameaças e, por outro lado facilitaria a deposição de tiranos.

A fim de amenizar o conflito com os palestinos, Israel precisa oferecer uma proposta que preveja um domínio de territórios seguros, cooperação e perspectivas de desenvolvimento econômico promissoras além do reconhecimento das perdas sofridas.  Jerusalém haverá de ter um status de dupla capital neste contexto.  Uma federação compreendendo o Estado de Israel, um Estado Palestino, Jordânia e Líbano poderia se revelar um objetivo comum motivador de todos.  Não poderá haver uma condição de trégua ou paz ditada por um vencedor.  Existe a possibilidade de repetição da experiência na questão do Kosovo, da presença temporária de contingentes da ONU nos territórios palestinos com a retirada das forças israelenses.

 Outro problema na região, ainda não abordado neste texto, é a realização do esforço do povo curdo pela configuração de um estado nacional.  A oposição da Turquia tem caráter nitidamente imperialista.  Caberia à ONU se empenhar tanto pela solução do conflito entre israelenses e palestinos, como pela realização da justa causa curda.  E também a UE haveria de condicionar o acolhimento da Turquia, em si benéfica, ao estabelecimento de um Estado Curdistão, assim reforçando um posicionamento da ONU.  Também nos territórios curdos a segurança e a trégua entre os contentores poderia ser assegurada por contingentes militares da ONU e/ou da EU.

Observe-se em ambos os casos se apresenta a adesão à UE como um elemento novo, mas estimulante, para a indução de entendimentos.  Os povos europeus – com cultura cristã – demonstrando simpatia, compreensão e acolhimento aos povos com outras culturas e religiões, estariam contribuindo para o apaziguamento dos espíritos e a disposição a compromissos.

Mais difícil é vislumbrar o término das atividades bélicas na Síria e no Iraque.  Uma condição seria o afastamento do tirano Assad do governo da Síria, que trucida partes da própria população.  Ambas as maiores cidades, Bagdá, no Iraque, e Damasco, na Síria, estão em centros de dominação xiita.  Por isso são os governos do Iraque e da Síria são apoiados pelo Iran.  Os ‘rebeldes sunitas’ contam com o apoio dos Estados Unidos e da Arábia Saudita contra o EI e Assad, mas não detêm um território com uma capital.  E sem uma participação nas rendas do petróleo em territórios de maioria xiita estariam sem sustentação econômica.  As partes lutam pela sobrevivência.  É possível que o exército de Assad acabe se impondo.  Esta hipótese não apresenta nenhuma perspectiva de uma pacificação consistente.

Tanto um Estado Sírio, como um Estado Iraquiano não têm como aceitar o estabelecimento de um EI.  A fim de evitá-lo haveriam de instituir coalizões internas entre as diversas facções.  Com este compartilhamento de interesses, uma federação da Síria com o Iraque, que, eventualmente, ajudaria a superar os defeitos de nascimento desses Estados depois da Primeira Guerra Mundial, talvez fosse uma ajuda.  A UE haveria de oferecer fortes ajudas para a reconstrução dos escombros da guerra e para a criação de oportunidades de trabalho na região.

Divagações sobre Paz. Parte IV: Percepções, Soluções possíveis, Cultura da Paz.

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Parte VI:  Percepções e circunstâncias atuais (2015)                                                                         Soluções possíveis de conflitos                                                                                               Cultura de Paz na Situação Sustentável.

 Experiências históricas que contribuem para as percepções atuais.

Estão ainda na memória ou as memórias podem ser facilmente renovadas pelo cinema e pela televisão as Guerras causadas por ambições imperialistas de governos e de contingentes apoiadores:

–   A Primeira Guerra Mundial, com massacres de dimensões antes inimagináveis.

–   A Guerra do Pacífico / Japão que terminou com as duas primeiras experiências – até agora não repetidas – do emprego de armas nucleares

–   A Segunda Guerra Mundial, consequência da Primeira e da loucura autoritária e criminosa do nazismo, com massacres propositais de populações civis.

A Organização das Nações Unidas – ONU – foi fundada com o objetivo de evitar novas guerras

Configurou-se a União Europeia – EU – com um parlamento sediado em Bruxelas / Bélgica, através de um processo de aproximação.

–   A Guerra do Vietnam terminou pela oposição da sociedade civil dos Estados Unidos.

–   A Guerra Fria entre os Estados Unidos com aliados e a União Soviética foi terminada com o desmoronamento da economia de comando centralizado da US sem confrontação armada devido ao terror de guerra nuclear.  Em tese uma aplicação da recomendação de Sun Tzu.

–   A Segunda Guerra do Golfo Pérsico foi causada pela invasão e anexação do Kweit pelo Irak, governado pelo um tirano Saddam Houssein.

–   O conflito do Kosovo, na ex-Jugoslávia, foi terminado por intervenção de forças da ONU.

Perdura o problema do reconhecimento de Israel por governos de países com religião muçulmana.

Surgiu o Terrorismo como recurso violento em conflitos, praticado por muçulmanos:  Chega à a aberração do suicídio-assassino.

–  O revide ao atentado às torres do Word Trade Center em New York e ao Pentagon em 11.09.2001 originou:

–  Uma Terceira Guerra do Golfo Pérsico – invasão do Iraque pelos Estados Unidos e alguns aliados, com liquidação de Hassam Hussein

–  Uma intervenção/invasão do Afeganistão para combate a terroristas e caça a Osama Bin Laden, posteriormente liquidado no Paquistão.

Uma surpreendente sublevação popular contra regimes autoritários/tiranos no Egito, na Líbia e na Tunísia conhecida por “Primavera Árabe”.  Estes levantes foram facilitados pelas ‘redes sociais’ nos telefones celulares.

Terminou o “regime de apartheid” de segregação repressão racial na África do Sul.  Mas continuam conflitos na Nigéria, no Mali e no Sudão.

–   O presente conflito generalizado na Síria e no Irak, que serviu de referência a estas considerações (vide Parte I)

 

Perspectivas favorecedoras do desenvolvimento de um Paz global duradoura.

Diante desta sequencia ininterrupta de conflitos armados de diferentes escalas, parece uma ousadia imaginar o estabelecimento de um ambiente global pacífico.  Todavia podem-se identificar tendências favorecedoras, válidas em si, mas reforçando-se reflexivamente e mais fortes em conjunto.  Assim se configuram um desenvolvimento difuso para Paz global:                                                                                                                                                        –  Autodeterminação dos povos consagrada.  As políticas de expansão – ou manutenção – imperialista estão condenadas na percepção global.  Sanções econômicas à Rússia pela ocupação da Criméia e atuação militar no leste da Ucrânia.                                                         –  Fim da dependência do Petróleo.                                                                                                    –  Fim das ideologias de organização de sociedades como comunismo e fascismo.                 –  Exemplo – benchmark – União Europeia para a configuração de federações. (Veja acima Kant)                                                                                                                                                         –  Aumento da parcela do contingente com instrução nas sociedades, inclusive dos “Trabalhadores com Conhecimento” – ícone formulado por Peter Drucker em “Post-capitalist Society” (1993) – e dos Cidadãos por Responsabilidade [veja “Como Acelerar o Desenvolvimento Sustentável” de Harald Hellmuth (2012)].                                                       –  Cooperação Global na Solução para o problema da pobreza – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. (PNUD)                                                                   –  Cooperação Global pelas Contribuições para a redução das emissões de GEE. (PNUMA) –  [Expectativa da]  Cooperação na acolhida de fugitivos de guerra / Responsabilidade por humanos estrangeiros; inserção de misericórdia nas percepções políticas.                               – Participação das Sociedades na política e nas decisões  Regimes de Governo Democráticos estão em expansão.  Maiores contingentes de cidadãos com nível de instrução elevado.  Aversão crescente de sociedades a engajamentos bélicos.                          – Evolui a percepção da interdependência dos países na economia globalizada.  Experiência da crise econômica global causada por ilicitudes financeiras nos Estados Unidos.  Experiência do efeito da capacidade de exportação e importação da China em diversas economias.  Configuração de acordos econômicos na área do Oceano Pacífico e Oceano Atlântico Norte – Estados Unidos e União Europeia.                                                       –  Internet – Facilidade e velocidade da comunicação.                                                                    – Discussão progressivamente mais objetiva e generalizada dos problemas – sociais, econômicos, ambientais e da gestão democrática – na mídia.                                                      –  A ONU como foro para a discussão – negociação – dos conflitos.

Progressivamente, todos estes “elementos da mudança” impregnam a consciência dos participantes em decisões políticas.

 

Conflitos atuais e possíveis acomodações numa visão de futuro pacifico.

De uma maneira geral, os conflitos, embora localizados, irradiam influências sobre a o ambiente global e muitos são imbricados.  Alguns requerem, além de vontades esclarecidas, quebras de paradigmas culturaisVontades esclarecidas compreendem o entendimento da prioridade da Paz por respeito ao Valor da Vida.  A percepção dos inter-relacionamentos dos conflitos pode facilitar evoluções culturais.  As soluções se configuram através de visões ampliadas.  Segue uma lista dos conflitos que hoje são noticiados:

  1.   Eventual confederação com Jordânia, Líbano, Estado da Palestina, ….? com um modelo semelhante ao da União Europeia.  Interesses comuns por águas e desenvolvimento econômico e social.
  2. Uma acomodação de divergências exaltadas entre variantes do Islamismo poderá reduzir a confrontação da Arábia Saudita com o Irã.  O interesse natural do Irã é desenvolver o próprio país.  Recentemente aceitou o controle externo de suas atividades na tecnologia nuclear.                                                                                       3.  Aceitação de um país / pátria curdo por Turquia, Irã, Irak e Síria.                  Configuração de uma – ou mais de uma – confederação de países de              cultura islâmica, nos territórios do Irak, da Síria, da Arábia Saudita e dos Principados do Golfo Pérsico – e/com Curdistão.                                            4. Aceitação do direito da autodeterminação dos povos no território da Rússia.  Configuração de uma confederação segundo o modelo da EU?                                   5.  Acomodação da disputa pela Kashemira entre Índia e Paquistão.                       6.  Reconhecimento da independência do Taiwan pela China.  Formação de uma confederação?                                                                                                                        7.  Apoio ao desenvolvimento econômico e social dos países do Norte da África com vínculos à economia da União Europeia.  O fornecimento de energia por fontes alternativas e implantação de indústrias oferecem possibilidades, além do turismo.                                                                                                                                   8.  Integração da Turquia na EU.  Há afinidades históricas, não representando a religião um impedimento.  Muitos turcos e descendentes de imigrantes turcos aculturados trabalham na Alemanha.  A Turquia está recebendo um número extremamente grande de refugiados para a Europa.                                                    9.  Coréia do Norte.  O governo déspota exacerbado, detentor de armas nucleares, precisa ser substituído.  Uma solução imaginária seria a intervenção da China e posterior reintegração com a Coréia do Sul.  A queda por implosão é hoje considerada improvável.  Haveria de acontecer uma sublevação militar.   10. Afeganistão: Região muito pobre.  Afinidades com Irã e Paquistão.  A pacificação regional requer a elevação do nível de vida no conjunto desses países.

Nesta cena se considera que a China não é um país potencialmente agressor.  A China realizou e continua promovendo um inédito projeto de resgate de pobreza de sua população, inicialmente preponderantemente rural.  Atualmente é o maior exportador industrial e o maior importador de matérias primas e alimentos.  Desenvolve o maior projeto de redução de emissões de gases de efeito estufa promovendo a geração eólica, solar e nuclear, além de reflorestamentos extensos.  Começou a desativar minas de carvão.  Entende-se que o governo da China, um tipo de regime autoritário esclarecido, conhece a dependência da inserção na economia global para a realização das metas do desenvolvimento social.  Com esta perspectiva assumiria posições de colaboração numa política global para a Paz.  Assim procedendo estaria em sintonia com a tradição Sun Tzu.

 

Desenvolvimento de uma Cultura da Paz na Situação Sustentável.

Quando o processo do Desenvolvimento Sustentável alcançar a sua Meta, a Situação Sustentável, deverá se ter configurado a Cultura Sustentável, da qual a Cultura da Paz na Situação Sustentável é parte.  Seria a cultura da Paz Eterna conforme Kant.  Não ocorreriam agressões, nem mesmo agressões preventivas, conforme Sun Tzu.

Acima se constatou que todos os conflitos atuais podem ser acomodados, desde que haja “Vontades”.  Certamente uma “Doutrina para a Paz” poderia orientar as discussões e decisões.  Algum texto neste sentido já deve existir na Organização das Nações Unidas.  Uma questão, aqui não verificada, é se os textos existentes estão focalizados na VIDA como valor supremo.  Tratar-se-ia de uma Responsabilidade, segundo Kant, e uma aplicação do Imperativo Categórico.  Seria uma Visão globalizada, mesmo para a solução de conflitos localizados.  O texto da Doutrina para a Paz conteria, para verificação e orientação, uma listagem das premissas identificadas ao longo da história.

Acontece, que cada nova geração terá de ser “aculturada”.  No desempenho desta tarefa reside a importância da educação para a formação de Cidadãos por Responsabilidade.  Ao retomar assim o posicionamento que remonta a Platão e Aristóteles, há de se considerar que hoje a educação à Cidadania – felizmente – não se limita mais a um pequeno contingente de nobres e burgueses em cada sociedade.  Deve alcançar a todos participantes do ensino básico, ou seja, idealmente a todos os cidadãos.  Embora a decisão de atuar com responsabilidade esteja no âmbito de liberdade da cada um, mediante a educação estar-se-ia otimizando a probabilidade de que sempre haverá um contingente forte nas sociedades para mobilizações contra a vulnerabilidade a populismos e subverão das democracias a regimes despóticos.  E também para desempenhar as demais Responsabilidades pelo Desenvolvimento Sustentável.

Observação final.

As condicionantes da conclusão de Kant pela esperança de “uma possível aproximação do estado pacífico” se materializaram na configuração da federação da União Europeia.  E nas circunstâncias presentes a sociedade global percebe que a conservação de condições para a sobrevivência das espécies requer contribuições de todas as partes.  Passa a existir uma Meta Comum para todas as sociedades – países.  Tal Meta – a realização da Situação Sustentável – não existia na época do iluminismo, dois séculos antes.  E também não existia um contingente de cidadãos preparados, dos quais uma parcela se destaca como Cidadãos por Responsabilidade, que são os empenhados pelas sociedades e pelo Desenvolvimento Sustentável.

Portanto é pertinente afirmar que a esperança de uma Paz Eterna, que Kant fundamentou na razão, e que seria a Paz na Situação Sustentável, está reforçada.

Divagações sobre Paz. Parte III: Reflexões selecionadas sobre Guerra e Paz.

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Divagações selecionadas sobre Guerra e Paz.

Parte III:  Reflexões selecionadas sobre Guerra e Paz.

De registros históricos da ocupação com a Guerra e a Paz anteriores à noção de sustentabilidade.

As considerações sobre o estabelecimento da Paz como abstenção a recursos violentos – guerras – referiram-se a conflitos atuais como estágio no trajeto para uma Situação Sustentável.  Intui-se que esta meta global possivelmente induza mudanças comportamentais que favoreçam o estabelecimento do ambiente pacífico.  A seguir se tentará cotejar as considerações deste ensaio com registros históricos de esforços por entendimento.

Há registros de procura de entendimento de ocorrências de conflitos bélicos, de habilidades de execução, de relacionamentos de formas de governo com comportamentos e paz interna – cívica –        que datam das eras mais remotas das configurações de culturas.  A amostra seguinte é aleatória.  O espaço só permite salientar alguns aspectos mais significativos.

 

–  China:  Sun Tzu “A arte de guerra”.                                                                      [Fonte:  Nova interpretação, tradução do inglês de Sonia Coutinho, Rio de Janeiro, 2001, Elsevier – 7a reimpressão]

Cerca de 2.300 anos atrás – século IV a.C., na região que hoje é o norte da China, uma linhagem de líderes militares expressou sua sabedoria coletiva, pela primeira vez, sob forma escrita”.  Seu texto que modelaria o pensamento estratégico de toda a Ásia Oriental, ofereceria uma perspectiva radicalmente nova sobre o conflito, pela qual se podia alcançar a vitória sem entrar em combate”.  “Segundo a lenda Sun Tzu realizou brilhantes campanhas mais ou menos na época de Confúcio, no século VI a.C.”

Antes de tudo se trata de recomendações de comportamento.  Aborda estratégia, tática e qualidades do general.  Mas “a (melhor) vitória está em levar os outros a adotar uma visão mais ampla – que inclua a deles próprios – sem jamais entrar em combate.”  A frase – verso – mais famosa declara:

“Subjugar o outro sem combate é a demonstração da maior habilidade”.

O interesse que o livro desperta até hoje pode ser conferido nas livrarias e mesmo bancas de jornais.                                                                                                                                     Serviria para procurar o entendimento da política chinesa, pois é evidente que serve de guia aos seus dirigentes.  A China procuraria se impor no ambiente global sem recorrer a recursos bélicos e opera na defensiva.

A sua validade transparece na vitória dos Estados Unidos, como líder da comunidade ocidental, sobre a União Soviética na Guerra Fria….isto é, em que não ocorreu confrontação armada.

Uma conclusão, por óbvia que seja, é que “sem agressor não há combate”.

 

–  Moisés e o mito das Tábuas das Leis no Antigo Testamento:                                 O Quinto Mandamento ordena “Não matarás”.  Não está explicito, mas entende-se que se referia ao comportamento entre os pertencentes ao povo, pois a “terra prometida” foi conquistada pelas armas.  De qualquer forma está na base da cultura judaico-cristã.  As tradições orais das tribos judaicas foram redigidas durante o cativeiro na Babilônia….  A origem dos alfabetos da cultura europeia é devida aos fenícios.

De qualquer forma, não há registro de incitação à guerra na tradição judaica.  E também não no Novo Testamento.  Este recomenda a humildade de todos, independente do status social, e até a submissão a destinos penosos.  A doutrina desenvolveu grande popularidade, o que induziu a monarcas aderir ao Cristianismo.  Adiante os sacerdotes procuraram se valer do espírito popular para fundamentar poderes políticos.  A obediência impunha-se à razão e à liberdade.

Observação:  É notório que as Igrejas Cristãs não se opuseram à formação de ambientes hostis nem à eclosão de conflitos armados, considerando-se apenas o período histórico pós-Napoleão.  Assim visto, por não defenderem a Vida como maior valor a ser considerado, foram coniventes com todos os massacres de vidas humanas da Primeira e da Segunda Guerra Mundial.

 –  Os atenienses Sócrates e Platão (fal.347 a.C), iniciador da filosofia política, e Aristóteles(fal. 322 a.C)                                                                                                         [Fonte:  “Die politische Philosophie” de Anne Baudart, traduzido para o alemão por Dr Jochen Grube, volume 8 da coleção DOMINO da BLT, impresso na França, 1998]

Platão tinha 28 anos de idade, quando o seu mestre Sócrates foi condenado à morte em 399 a.C pelo democraticamente eleito tribunal de Atenas.  Platão ficou perplexo com a injustiça – o crime – cometido.  Desistiu da carreira política que como aristocrata lhe cabia, para procurar explicações sobre a decadência da democracia estabelecida 200 anos antes.  Sócrates apenas havia exortado à moderação, ao autoestudo, à virtude, à ação segundo a consciência, ao retorno aos valores que se perderam pela desmedida ambição de poder.  A fascinação que ele exercia sobre os seus discípulos suscitou o receio que obtivesse influência demasiada e perigosa aos interesses pelo que a sua mensagem foi desfigurada como perigosa à ordem pública.  Lecionava que soberba haveria de ser combatida, pois gerava confusão, violência, desigualdade, barbaridade e anarquia.  Sócrates não contestou o veredito; não articulou uma defesa.  [ Curioso paralelismo com a situação do julgamento de Cristo três séculos depois]

Entre outras questões Platão indagou por uma constituição que impedisse a repetição de tamanha injustiça pública.  Condenou os despotismos.

Aristóteles foi discípulo de Platão e fundou uma escola própria.  Entendeu a política tanto como ciência como arte. Como ciência orientada para a prática ensina a prudência e trata das vantagens da cidade – da vida em sociedade -, intrinsecamente ligada ao bem-estar individual.  Para Aristóteles o Bem é a Justiça e o Bem-Comum, equivalentes à Virtude da vida cidadã.  Justo só é aquele que traz felicidade para toda a comunidade.  Considera como sendo a melhor forma de Estado em que rege a lei e não o capricho de pessoas.  Pregou o comedimento.  Pregou a manutenção de um equilíbrio entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário no Estado e o Estado com o papel de administrador e regulador das Liberdades.  [Foi precursor do iluminismo com Montesquieu]

Observamos que no ambiente cultural helenístico o bem e a ordem resultam da percepção das pessoas, que deveriam ser livres para a própria conscientização.  Não há uma subordinação a mandamentos transcendentais.  Por consequência não há posições de poder de sacerdotes.  A orientação ao bem da comunidade constitui, implicitamente, uma Responsabilidade.

Platão e Aristóteles se preocuparam com a educação dos jovens para a ação em prol do Bem, da Felicidade e da Prosperidade da Cidade (sociedade).

Isto significa que cada geração precisa aprender toda a lição para que se consiga impedir a degeneração da democracia.

Observação:  Os mestres-filósofos dirigiam-se a indivíduos pertencentes ao contingente da sociedade dominante da cidade.  Tentavam formar as elites.  Desde Sócrates os participantes de uma “comunidade de humanos livres”, de iguais, devem promover a convergência e não o choque de forças caóticas, devem apoiar a paz e não a guerra, a amizade e não o conflito.

Pergunta-se:  Por serem ideais elitários, constituiriam uma utopia?

 

–  Tratado filosófico de Emmanuel Kant:   A Paz Perpétua (1795).                [Fonte:  http://www.lusosofia.net/textos/kant_immanuel_paz_perpetua.pdf  ]                                :  https://pt.wikipedia.org/wiki/immanuel_kant  ]

Kant viveu de 1724 a 1808 em Königsberg, na Prússia Oriental, cidade que nunca deixou.  Não frequentou cortes.  Foi contemporâneo de Frederico II, da Prússia, da Independência dos Estados Unidos, da Revolução Francesa, de Napoleão, de Clausewitz, dos iluministas franceses como Voltaire, Rousseau, etc, de Adam Smith, Goethe e Beethoven.

As referências históricas de Kant foram as mesmas de Clausewitz – vide abaixo -, mas ele não se ocupou com a guerra, mas com o comportamento humano, o direito e a moral estudados com o recurso único da razão.  Por muitos é considerado o mais importante filósofo moderno.                                                                                                                               Pela sequencia de suas obras podemos afirmar que a Paz Perpétua foi sistematicamente preparada, embora não de propósito.  Assim                                                                                   –  A Critica da Razão Pura é datada de 1781,                                                                                     –  Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785), por muitos considerada a mais importante obra sobre moral e onde formula o “Imperativo Categórico”,                                 –  a Crítica da Razão Prática de 1788,                                                                                                 –  a Crítica do Julgamento de 1790.                                                                                                  –  A Paz Perpétua, ou Eterna, data de 1795.

Kant é provavelmente mais bem conhecido pela teoria sobre uma obrigação moral única e geral, que explica todas as outras obrigações, que temos:  O Imperativo Categórico “age de tal forma que a máxima de tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal”.                                                                                                                                             [Observação:  Obrigação tanto pode significa dever – “Pflicht” – como responsabilidade – “Verantwortung” -.

Kant pertenceu ao importante período histórico de formação da cultura “ocidental” denominado iluminismo.  A sua definição de iluminismo no texto “O que é iluminismo?” (1784) é:                                                                                                                                                 “O iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do iluminismo“.]

Em outras palavras Kant defendia a pessoa livre, o Cidadão Responsável.  Infelizmente ele não teve uma influência o suficiente forte para prevenir o ambiente autoritário, que se constituiu com a formação do Reich em 1871.

Em “Paz Perpétua” Kant define três “artigos definitivos”

Primeiro:  A Constituição Civil em cada Estado deve ser republicana.  “Republicano” como modo de governo significando a separação entre o poder executivo (governo) e o poder legislativo, em distinção de “despótico”.

Segundo:  O direito das gentes deve fundar-se numa federação de Estados livres.

Terceiro:  O direito cosmopolitano deve limitar-se às condições de hospitalidade universal, que é o direito que permite a todos os homens de apresentar-se na sociedade.  Por fim a não violação do direito cosmopolitano e o direito público da público da humanidade criará condições para favorecer a Paz Perpétua, proporcionando a esperança de uma possível aproximação do estado pacífico.

Observações:                                                                                                                                            –  Kant deduz, pela razão, que a Paz Perpétua é possível, sob diversas condições.                                                                                                                                      –  É bastante interessante que a federação de Estados com Constituições Republicanas está realizada na União Europeia.                                                                                                           –  Kant não conheceu o desenvolvimento da burguesia em consequência da Revolução Industrial.                                                                                                                                                  –  Portanto Kant não cogitou das responsabilidades / deveres do cidadão pela configuração e pela Constituição do Estado.  Não teve uma visão de democracia; viveu num ambiente monárquico, anterior à formação do Estado da Alemanha.                                   –  Por consequência não incluiu o estabelecimento das condições para Paz Perpétua entre as obrigações dos cidadãos contemporâneos.

 

Carl von Clausewitz  “Vom Kriege” (1832)                                                             [Fonte:  Clausewitz – On War, Pelican Classics, London,1979]

Tradução da adaptada da contracapa:  “Em seu famoso tratado On War (1832) Carl von Clausewitz pode ser considerado quem converteu Napoleão em teoria.  Ele é muito lembrado por sua definição de que “guerra é a continuação da política por outros meios” e por suas observações sobre a guerra total.  Cabe lembrar que Clausewitz distinguiu entre guerra judiciosa – justa, sensata, acertada (decisão) – e guerra não judiciosa.  O relacionamento que ele detectou entre guerra e política significa que a guerra só pode ser feita em determinadas circunstâncias”– excepcionais.

Observação:  Clausewitz é considerado o filósofo da guerra.  A guerra é então entendida como uma ocorrência “normal” nos atritos entre os povos.  Esta percepção foi dominante nos contingentes dirigentes pelo menos até as guerras imperialistas da Primeira Guerra Mundial.  Supostamente, Clausewitz não teria considerado judiciosas pelo menos as atitudes do governo Austro-Húngaro.  As campanhas pela unificação da Alemanha conduzidas por Bismark, possivelmente, sim.

Observação:  As referências históricas de Clausewitz – no sécolo XVIII – foram nobres que regiam sobre seus territórios á semelhança de um pequeno empresário.  Os seus interesses eram por aumento do território, da população, dos impostos, dos recursos minerais.  Frederico II da Prússia seria um exemplo típico.  Os “reis” tinham consultores para avaliar os riscos e os ganhos potenciais.  No futuro identificou os Estados nacionais, com maiores contingentes das sociedades participando dos interesses – e das políticas.  O colonialismo, por exemplo, o britânico, não foi objeto de seus estudos.  Clausewitz faleceu em 1831.  Não presenciou a expansão da Revolução Industrial.

Observação:  Clausevitz foi motivado pela derrota esmagadora do exército prussiano por Napoleão (1791).  Das lições, que formulou, resultou a reorganização que levou às vitórias sobre Napoleão e depois às das campanhas da Prússia pela união da Alemanha, sob Bismark.

Observação:  A sua obra teve grande influência no pensamento político e militar.  O foco exclusivo do profissional Clausewitz na força militar e seu emprego na guerra, com exclusão da ética / moral, mesmo estabelecendo a ascendência do político – monarca – sobre o general, isto é, sem referência ao valor da vida dos súditos, deve ter contribuído para a configuração do ambiente que resultou na Primeira Guerra Mundial, após cerca 100 anos de relativa paz na Europa.  É presumível que tenha contribuído para inibir uma rejeição do comando militar alemão ao nazismo.

Observação:  Não se pode responsabilizar Clausewitz por não ter sido desenvolvida até hoje uma Filosofia da Paz, que tivesse mobilizado todas as sociedades, até para a desobediência civil em determinadas circunstâncias.

Observação:  Em relação às circunstâncias físicas, materiais e sociais no inicio do século XIX as circunstâncias na atualidade do inicio do século XXI são muito diferentes:  Ocorreu uma revolução industrial em impulsos sucessivos, acontecendo agora a da informação via Internet; a prosperidade e o conforto alcançaram níveis antes inimagináveis para cerca de 15% da população global; o conhecimento é amplamente difundido; as responsabilidades estão descentralizadas tendo emergido o Trabalhador do Conhecimento – caracterizado por Peter Drucker em “Post-capitalist society” –, ocorre a globalização da produção, estabeleceu-se a União Europeia e mesmo uma moeda comum, desde 1990 os regimes de governo democráticos expandiram-se mundo afora.  A hipótese da utilização de armas termonucleares sustenta a percepção do absurdo da guerra.  O reconhecimento do absurdo de ‘grandes guerras’ induz condenações de ‘guerras restritas’, mesmo de contra-insurgências.  Está se tornando perceptível / percebido que a guerra não é a continuação da política com outros meios mas o fracasso da política.  

Questão:  Como evoluíram as circunstâncias sociais e os critérios de decisão sobre o empenho em conflitos armados?

Divagações sobre Paz. Parte II: Óbices.

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Divagações sobre Paz.

Parte II:  Óbices

Condições / premissas para a finalização de conflitos.

A pacificação é mais que a interrupção de ações violentas, seja por um armistício, seja por um tratado de paz.  A pacificação implica na superação de uma disposição à ação violenta.  Trata-se de processo íntimo.  Para tornar supérfluos os armamentos precisa ocorrer em todas as partes envolvidas.  A configuração da União Europeia é o exemplo de que a realização de tais processos simultâneos é possível.

No âmbito da massa popular este fato não deveria surpreender.  É o contingente que mais sofre; são os chamados “inocentes atingidos” nos noticiários.  A sua motivação básica é a sobrevivência em condições de vida aceitáveis.  A segunda motivação é a segurança, a continuação da realização destas condições.  As sociedades são pacíficas por natureza e por interesse.

São os contingentes dirigentes das sociedades que têm interesses reais – econômicos – ou imaginados – ideológicos, religiosos – e sentimentos de prestígio, que resultam em conflitos, sobretudo guerras.  O processo íntimo de reposicionamento inicia com o reconhecimento da vanidade de tais objetivos, incompatíveis com o bem-comum de todas as populações.  Com o desenvolvimento tecnológico da produção, tanto agrícola como industrial, o domínio sobre extensos territórios nacionais ou coloniais e populações numerosas perdeu o significado.

O passo seguinte ao reposicionamento unilateral é o “Reconhecimento de Culpa” e a “Concessão de Perdão” recíprocos por ocorrências históricas, que só os representantes das sociedades têm condições de expressar. 

A aversão aos conflitos armados é manifesta em todas as sociedades com regimes de governo democráticos.  Tais sociedades pressionam os respectivos governos por manutenção da paz.  A sociedade dos Estados Unidos pressionou o seu governo pela finalização da Guerra do Vietnam, que em termos militares poderia ser vitoriosa.  Tais sociedades não contestam anseios de liberdade e de autodeterminação de outras sociedades.  Portanto, o fim de regimes autoritários e o respeito à autodeterminação do povo curdo por parte dos governos da Turquia e do Irã são premissas para a pacificação da região do Oriente Médio.

 —  Condições internas das sociedades para uma situação pacífica.

A referência a regimes de governo despóticos e mesmo tirânicos na abordagem das premissas para a finalização dos conflitos, forçosamente, vale para a iniciação dos conflitos bélicos.  Governos com práticas ditatoriais e repressão interna podem estar transvestidos de democracia pelo fato de arranjarem eleições.  A Turquia e a Síria são exemplos.  Irã e Arábia Saudita são ditaduras de religião.  A Jordânia é um exemplo de monarquia moderadamente esclarecida.  Os povos de religião muçulmana não têm experiências históricas da Reforma religiosa, da formação de contingentes “burgueses” postulantes de liberdades em relação aos governantes ou de revoluções contra os poderes.  E ficaram à margem da Revolução Industrial.  Estas são algumas razões porque ainda são governados por regimes autoritários opressores.  Estes dominam os meios de comunicação e instigam motivações a conflitos étnicos e religiosos além de empreenderem aventuras imperialistas, como a ocupação do Kweit.

Já Platão, no século IV a.c., demonstrou os riscos que regimes tirânicos representam para a comunidade; na época era a cidade-estado.  Na parte do Mundo com cultura ocidental não existem mais regimes tirânicos.  Os regimes de governo são democráticos com direito universal ao voto.  A Rússia é uma exceção; pode-se intuir que a população não apoiaria aventuras imperialistas, caso vigorasse a liberdade de imprensa e de expressão no lugar da propaganda nacionalista do governo.

Tem-se verificado que a substituição dos regimes obsoletos por modelos de regime importados é muito difícil.  Não existem instituições informais para dar sustentação às instituições formais de gestão e política interna.  Os contingentes que exerceram o poder antes da derrubada de um sistema continuam influentes e com os mesmos interesses; quebras de paradigmas de comportamentos – de atitudes – não acontecem instantaneamente.

A expectativa, embora trágica, é que os conflitos armados e os números de vítimas acabem esgotando o ímpeto dos contraentes e liquidando os regimes despóticos.

—  Alguns obstáculos adicionais à prevenção de conflitos bélicos.

Demonstrou-se equivocada, ou de causar efeitos não previsíveis, o empenho de governos ditatoriais – déspotas – pelos Estados Unidos como aliados durante a guerra fria – Mubarack do Egito e Gadaffi da Tunísia – e, para combater vizinhos, – Irak de Saddam Hussein contra o Irã.  Talvez não se tivera alternativas se não combater diretamente, o que a povo americano não teria aceito e a sociedade global também não.

Manter a ordem por tempo indeterminado via opressão despótica não é mais possível; aconteceram as sublevações denominadas “Primavera Árabe”.  Mas os países citados e outros de cultura muçulmana não têm experiências históricas de governos “republicanos” – na definição de Kant -, nem de uma revolução industrial com formação de uma burguesia.  Não estão preparados institucionalmente para regimes democráticos.  Então já o estabelecimento da paz interna nestas sociedades é difícil.

Países envolvidos em conflitos gastam altas parcelas de suas rendas com armamentos, que potencialmente aumentam a probabilidade da ocorrência de guerras.  Exemplos atuais:  Arábia Saudita e Irã.  Um embargo de fornecimento de armas é improvável, pois existem interesses de fornecimento pelas indústrias bélicas de muitos países:  Rússia, Estados Unidos, China e da União Europeia.

 

Divagações sobre Paz. Parte I: Introdução, conceitos, da cena atual, Meta.

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Divagações sobre Paz.

Parte I:  Introdução, conceitos, da cena atual, Meta

Introdução                                                                                                                                     A Paz foi reconhecida como sendo uma condição fundamental para o estabelecimento de uma Situação Sustentável desde o início das ponderações sobre o Desenvolvimento Sustentável. [veja “Como acelerar o Desenvolvimento Sustentável” Harald Hellmuth (2012)].  Depois foi integrada como característica da Situação Sustentável. [veja “Como acelerar o Desenvolvimento Sustentável” Tomo II Harald Hellmuth (2015)].  Mas foi sentida como a mais difícil das Características a serem abordadas, mais abstrata e especulativa ainda que o trajeto de desenvolvimento dos regimes de governo e de políticas econômicas com as implicações para a superação da pobreza.

Ao assumir o desfio da tentativa de abordar, embora, inevitavelmente, de forma precária, de sistematizar aspectos do trajeto para uma Paz universal, convida-se aos “especialistas” – acadêmicos historiadores e politólogos, políticos, militares, teólogos, filósofos, educadores, autores – a contribuírem para completar este esboço.

 —  Avaliação após conclusão.                                                                                                 Partindo de um intricado conflito bélico atual, de difícil entendimento dos cidadãos de todos os países, e tendo como Meta a Paz na Situação Sustentável chegou-se à constatação de que o desenvolvimento de uma Cultura da Paz é possível.  A Paz está no interesse de Segurança da Vida de todos os seres humanos.  Além de uma evolução espontânea da percepção e do desempenho de Responsabilidades pelos Cidadãos, quebras de paradigmas de decisão haverão de ocorrer ao longo do trajeto do Desenvolvimento da Paz Sustentável.

 

Da cena atual – fevereiro de 2016.:

Os diplomatas da Rússia expressaram na Conferência de Segurança em München, que estar-se-ia da volta a uma situação de Guerra Fria.  Fato é que a Rússia, além de iniciativas beligerantes na Ucrâina, interfere no conflito na Síria com bombardeios e tropas em auxílio a Assad, contestado dirigente déspota da Síria.  A Rússia é de longa data apoiadora do regime de Assad e grande fornecedora de armamentos.

É difícil de entender apoio ao tirano cruel a menos que por uma ambição de ocupar uma posição de importância no espaço político global como tinha a União Soviética durante a Guerra Fria.  No presente não há perspectivas para a finalização das lutas armadas.

Uma novidade constitui a chegada de centenas de milhares de fugitivos da guerra – sírios, iraquianos e afegãos – na Europa.  Somam-se migrantes da África.  No período de um ano superam a cifra de um milhão.  Poucos países europeus estão dispostos a acolher e integrar fugitivos, sobrecarregando a Suécia, a Áustria e a Alemanha onde, inicialmente, foram recebidos com simpatia pelas sociedades.

 

Paz e Situação Sustentável.

Este assunto foi postergado no site http://www.hhellmuthsustentabilidade.com .  A abrangência poderia impossibilitar um tratamento consistente.  A abordagem parecia ser por demais audaciosa.  A sensação de que a realização da Paz universal, caso possível, só ocorreria num futuro distante imprevisível, foi um fator de hesitação.

A Paz universal significa ausência de recursos violentos nas disputas nacionais e internacionais.

Mas a Paz é uma condição fundamental da realização da Situação Sustentável, cujas características são todas interdependentes.  É evidente que a os conflitos armados – as guerras – constituem um absoluto desperdício de materiais.  A indústria bélica produz poluição na fabricação de armas e munições, inclusive químicas, biológicas e nucleares.  Os combates causam destruições – resíduos – e emissões das combustões, além de poluição das águas e ameaças a biomas, sem contar os sacrifícios de vidas e outros sofrimentos.  Destroem condições de bem-estar nas populações nas áreas dos combates.

 Não há justificativas éticas / morais para a beligerância.

 

Algumas premissas para o reinado da Paz.

Estas considerações não se apoiam em nenhuma obra da extensa literatura sobre a guerra e paz, que remonta ao início das civilizações.  Decorrem apenas do Conceito de Situação Sustentável e do Conceito da Responsabilidade pelo Desenvolvimento Sustentável.

A humanidade adquiriu poderes de autodestruição direta por armas bélicas e por destruição do ambiente, que a sustenta e de que retira os meios de Sobrevivência.  Todas as considerações são orientadas para as Condições de Sobrevivência, que são as Características da Situação Sustentável.  Num expressão sintética:  Reconhece-se o

Respeito à VIDA como o maior e intocável Valor

como a Premissa Fundamental para todas as considerações sobre a Sustentabilidade da Vida na Terra e, consequentemente, para o estabelecimento da Paz Duradoura. Cabem três observações:

1.  Esta premissa é independente de vínculos culturais, como religião e ideologia.                  2. Por extensão esta premissa traz implícito o reconhecimento de igualdade de                           direitos a condições de conforto eticamente aceitáveis, que seriam realizados na                   dimensão social da Situação Sustentável.                                                                                      3. Do Respeito à Vida decorre a Responsabilidade pela Conservação da                          Vida, ou seja, pelo Desenvolvimento para a Realização da Situação Sustentável e                   pelo Estabelecimento e Conservação da Paz. A Responsabilidade é uma Atitude                     de Retribuição.  Cada ser humano deve retribuição às circunstâncias que lhe                           permitem viver, pelo simples fato de estar vivo.

Constata-se que os desempenhos das Responsabilidades, da conversão em ação das Atitudes pelo Desenvolvimento Sustentável e pelo Estabelecimento e Conservação da Paz configuram duas premissas diretamente decorrentes da Premissa Fundamental.  O Desenvolvimento Sustentável requer a realização um conjunto grande de Metas – Características da situação Sustentável.  A Realização e a Conservação da Paz requer “apenas” decisão.

 

—  Consequência para a Situação Atual – cena atual em 2016.

Esta constatação leva a uma vista de relace sobre acontecimentos atuais antes apresentados.  Não requereria mais ao dirigente da política da Rússia, um autocrata presidente de uma pseudo-democracia, apoiado por um grupo constituído uma oligarquia plutocrata, militares e forças policiais, do que decidir terminar uma campanha de intervenção.  O abandono do apoio ao tirano Assad, provavelmente, renderia mais reconhecimento à Rússia do que a continuação na participação em mortandades.  A pacificação da região no Médio Oriente exige mudanças nas percepções entre as partes locais no conflito.

 

 

 

 

 

Este assunto foi postergado no site http://www.hhellmuthsustentabilidade.com .  A abrangência poderia impossibilitar um tratamento consistente.  A abordagem parecia ser por demais audaciosa.  A sensação de que a realização da Paz universal, caso possível, só ocorreria num futuro distante imprevisível, foi um fator de hesitação.  A Paz universal significa ausência de recursos violentos nas disputas nacionais e internacionais.

 

Mas a Paz é uma condição fundamental da realização da Situação Sustentável, cujas características são todas interdependentes.  É evidente que a os conflitos armados – as guerras – constituem um absoluto desperdício de materiais.  A indústria bélica produz poluição na fabricação de armas e munições, inclusive químicas, biológicas e nucleares.  Os combates causam destruições – resíduos – e emissões das combustões, além de poluição das águas e ameaças a biomas, sem contar os sacrifícios de vidas e outros sofrimentos.  Destroem condições de bem-estar nas populações nas áreas dos combates.

 

Não há justificativas éticas / morais para a beligerância.

 

 

Algumas premissas para o reinado da Paz.

 

Estas considerações não se apoiam em nenhuma obra da extensa literatura sobre a guerra e paz, que remonta ao início das civilizações.  Decorrem apenas do Conceito de Situação Sustentável e do Conceito da Responsabilidade pelo Desenvolvimento Sustentável.

 

A humanidade adquiriu poderes de autodestruição direta por armas bélicas e por destruição do ambiente, que a sustenta e de que retira os meios de Sobrevivência.  Todas as considerações são orientadas para as Condições de Sobrevivência, que são as Características da Situação Sustentável.  Num expressão sintética:  Reconhece-se o

Respeito à VIDA como o maior e intocável Valor

como a Premissa Fundamental para todas as considerações sobre a Sustentabilidade da Vida na Terra e, consequentemente, para o estabelecimento da Paz Duradoura.

Cabem três observações:

  1. Esta premissa é independente de vínculos culturais, como religião e ideologia.
  2. Por extensão esta premissa traz implícito o reconhecimento de igualdade de direitos a condições de conforto eticamente aceitáveis, que seriam realizados na dimensão social da Situação Sustentável.
  3. Do Respeito à Vida decorre a Responsabilidade pela Conservação da Vida, ou seja, pelo Desenvolvimento para a Realização da Situação Sustentável e pelo Estabelecimento e Conservação da Paz. A Responsabilidade é uma Atitude de Retribuição.  Cada ser humano deve retribuição às circunstâncias que lhe permitem viver, pelo simples fato de estar vivo.

 

Constata-se que os desempenhos das Responsabilidades, da conversão em ação das Atitudes pelo Desenvolvimento Sustentável e pelo Estabelecimento e Conservação da Paz configuram duas premissas diretamente decorrentes da Premissa Fundamental.  O Desenvolvimento Sustentável requer a realização um conjunto grande de Metas – Características da situação Sustentável.  A Realização e a Conservação da Paz requer “apenas” decisão.

 

—  Consequência para a Situação Atual – cena atual em 2016.

Esta constatação leva a uma vista de relace sobre acontecimentos atuais antes apresentados.  Não requereria mais ao dirigente da política da Rússia, um autocrata presidente de uma pseudo-democracia, apoiado por um grupo constituído uma oligarquia plutocrata, militares e forças policiais, do que decidir terminar uma campanha de intervenção.  O abandono do apoio ao tirano Assad, provavelmente, renderia mais reconhecimento à Rússia do que a continuação na participação em mortandades.  A pacificação da região no Médio Oriente exige mudanças nas percepções entre as partes locais no conflito.