Problemas das Mudanças Climáticas

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Problemas das Mudanças Climáticas.

O mais discutido dos Problemas Ambientais é o das Mudanças Climáticas. É o que tem as maiores e as mais graves conseqüências sobre as condições de vida futuras de todas as espécies na Terra de forma global.

Causas e reações.

O efeito antrófico nas Mudanças Climáticas resulta da poluição da atmosfera por gases causadores do efeito estufa – GEE. Com o aumento da concentração de tais gases na atmosfera, principalmente o gás carbônico – CO2 – e o metano – CH4 – fração crescente dos raios infravermelhos refletidos pela Terra para o espaço, é refletido de volta, resultando em aquecimento. Desde que a humanidade passou a utilizar em grande escala os combustíveis fósseis na geração de energia, nos transportes e no aquecimento doméstico – primeiro do carvão mineral, depois petróleo e o gás natural – as emissões de GEE superam a capacidade de sequestro da natureza e a sua concentração aumenta. Desde a Conferência conhecida como Rio 92 discutem-se os esforços que cada país haveria empregar para reduzir as emissões, assim limitando a concentração num nível máximo para que o aquecimento global não ultrapasse 2oC, considerados toleráveis.

A próxima reunião, programada para junho de 2015 em Paris, será a vigésima Conference of Parts, ou COP 20. O objetivo será formalizar compromissos de reduções de emissões de GEE pelos participantes na continuação das primeiras metas acordadas no Protocolo de Kyoto de 1995.

Durante o período desde 1992 houve fortes resistências à aceitação de compromissos. Alegaram-se dúvidas quanto efeito das ações humanas nas Mudanças Climáticas até que as simulações realizadas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC – publicadas comprovaram o fenômeno de forma insofismável 2 ( 2 > Situação Sustentável e Responsabilidade – Referências , Ensaio VII). Degelo de geleiras e nos pólos, o aumento da incidência de tufões e mudanças de regimes de chuvas contribuíram para sedimentar as percepções das Mudanças Climáticas.

A segunda causa do aumento da concentração de GEE na atmosfera é a destruição de florestas – desflorestamento. ( > Problema das Florestas) Não só a queima da matéria orgânica acumulada na vegetação, mas também a exposição do solo são fontes de emissões. O Brasil tem sido um dos maiores poluidores da atmosfera por desflorestamentos. Ainda hoje se desflorestam por ano áreas equivalentes a de um quadrado com 70 km de lado, só na Floresta Amazônica.

A terceira causa do aumento da concentração de GEE na atmosfera é a agricultura e a pecuária. Melhores técnicas de cultivo, aplicação melhor dirigida de adubos e defensivos poderão reduzir significativamente estas emissões.

A redução das emissões de GEE implica na substituição dos combustíveis fósseis na geração de energia, nos transportes, no aquecimento doméstico e industrial e na terminação dos desmatamentos. Alguns países importantes emissores temeram que tais mudanças causariam dificuldades econômicas, por perda de competitividade, de ocupação e de desenvolvimento.

Por isso o Brasil negou ações para a finalização dos desmatamentos da Floresta Amazônica, que o posicionava entre os quatro maiores emissores de GEE, como se o desmatamento fosse vital para o desenvolvimento econômico e social. A China e os Estados Unidos, os dois maiores poluidores da atmosfera, não assinaram o Protocolo de Kyoto. Mas a Alemanha e a Inglaterra se empenharam na transformação de suas matrizes energéticas e cumpriram os compromissos assumidos.

Da Situação Atual e da disponibilidade de tecnologias “limpas”.

Hoje, em 2015, a Alemanha opera com 20% da energia de fontes renováveis – solar, eólica e biomassa – na matriz energética e liderou no estabelecimento da geração eólica e da geração fotovoltaica. A China já instalou 35 GW em painéis fotovoltaicos e os Estados Unidos 17,5 GW, através de um forte programa de subsídios. A China assumiu também a liderança na instalação de geração eólica e na captação de energia solar para aquecimento. A Índia desenvolve um projeto de geração fotovoltaica para beneficiar uma grande massa de pobres rurais.

Apesar da construção de instalações pioneiras de geração solar por concentração com diversas configurações, esta tecnologia tem se difundido em ritmo lento. Existe a visão de uma instalação maciça no norte da África e transmissão para a Europa onde contribuiria com 15% da demanda.

Segundo Lester R. Brown em Plan B 2.0, Plan B 3.0 e Plan B 4.0, toda a energia consumida nos Estados Unidos poderia ser suprida por fontes renováveis, inclusive a necessitada pelos transportes. O recente desenvolvimento dos acionamentos elétricos e híbridos para automóveis sugere confirmar esta afirmação. Mesmo o consumo de combustível dos veículos com motores de explosão vem diminuindo gradativamente. A eficiência energética [PIB/kWh] das economias tem aumentado, tanto que o consumo de energia na Alemanha diminuiu apesar do aumento da produção.

Do Desenvolvimento.

Constata-se que a cena das emissões de GEE teve uma evolução significativa desde os anos 1992/5. Mas ainda é imprevisível quando se conseguirá estabelecer o equilíbrio entre emissões e seqüestros de GEE. Em tese as fontes renováveis de energia podem substituir integralmente as fontes fósseis – carvão, lignito, petróleo e gás. Por enquanto a concentração de GEE na atmosfera ainda esteve aumentando. 2014 foi o primeiro ano de estabilização das emissões. Recentemente a colocação em operação de instalações de geração de energia utilizando fontes renováveis pela primeira vez superou o início de geração com fontes fósseis.

O desempenho da Responsabilidade pelas condições de vida da humanidade, a rigor, significa que cada sociedade empenhe os recursos a seu dispor da melhor forma possível. No entanto, uma mobilização para a salvação da humanidade de forma semelhante da mobilização dos Estados Unidos para a Segunda Guerra Mundial parece ser uma utopia de Lester Brown. Haveria de emergir uma sensação de desastre global iminente. Em termos lógicos os recursos existem. Basta considerar os empenhos na produção de armamentos, que são verdadeiros desperdícios.

Contribuições do Brasil.

É difícil apontar um país que possa contribuir tanto, com maior facilidade, em menor prazo e com ganhos econômicos para a redução dos riscos das Mudanças Climáticas como o Brasil. A terminação dos desflorestamentos é realizável de imediato, ou seja, num prazo de três anos. A expansão da geração eólica pode ser promovida num ritmo de 3.000 MW por ano sem dificuldades, oferecendo ocupação industrial. O retorno ao estímulo da produção de etanol reduziria a poluição nos transportes de imediato. A difusão do biodiesel será mais demorada. Acoplada á produção de etanos aumentaria a cogeração com biocombustível. O potencial deste recurso corresponde aos 12.000 MW da usina de Itaipu. Extensos projetos de reflorestamento e de recuperação de bacias hidrográficas, como a do rio São Francisco, absorveriam uma parte da população pobre subocupada, que não chega a ser representada nas estatísticas. Aumentar-se-ia dessa forma o sequestro de carbono/GEE. As florestas podem ser industriais ou de recuperação. Os retornos econômicos das primeiras se dão em prazos aceitáveis para investidores privados. A produção de “aço verde” empregando carvão vegetal na redução poderá substituir parte da exportação de minérios. Florestas de recuperação de vegetação nativa podem ser enriquecidas com espécies de madeira nobre com ciclos de colheita de duas a três décadas.
É evidente, que tais ações independem de acordos internacionais.

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